segunda-feira, 23 de abril de 2018

Tradições - Páscoa


A coroa da laranja

Texto e fotos: Lurdes Pereira
Março de 2018









Os locais da Via-Sacra já estão referenciados. As cruzes e as imagens Sacras, tapadas durante a Quaresma com mantos roxos, soltam a angústia do luto, da tristeza, da dor e da penitência. É tempo de Páscoa, é tempo de Paixão, Morte e Ressureição. E a Ressurreição vive esta duplicidade de mãos dadas com o Renascer que a Primavera nos contempla. 


Entre Barrô, (Resende) e Penajóia, (Lamego) o Domingo de Páscoa é muito semelhante nas suas tradições religiosas, familiares e gastronómicas. Têm em comum o mesmo momento crucial – o Compasso, uma breve visita que o pároco faz a todas as casas da paróquia levando a Boa Nova da Ressurreição. 


Depois da missa o sino toca assinalando o início das visitas. Os mordomos vestidos a rigor, água benta e Cristo na Cruz cujos braços oferecem, quando a Páscoa é mais alta, a novidade das primeiras cerejas do concelho agendando, assim, o Renascer de um novo ciclo.


Porém, há na Penajóia uma particularidade que considero quase singular - A laranja coroada com o folar do padre. Manda esta tradição que no dia da visita seja colhida a maior laranja de umbigo da laranjeira de cada quintal. O fruto é colocado num prato em cima da mesa já decorada com ramos de alecrim. O folar do Padre era a moeda com que o anfitrião embelezava a laranja. Com o desenrolar dos tempos e da economia de cada lar, o valor da moeda transforma-se em papel. 


O Compasso entra, a Cruz é beijada, a oferta levantada e o homem do saco recolhe a laranja. Para além de ser uma tradição, não se sabe ao certo o simbolismo da laranja, mas pode estar relacionada com o único fruto que o Inverno nos oferece em abundância. E tal como se diz em alguns lugares, “as laranjas só são boas depois de abençoadas”. 


A tradição continua mas já não há o homem para carregar o saco das laranjas. Assim, a maior laranja do quintal fica, ano após ano, no prato da mesa pascal.



Uma Santa Páscoa para todos!


Lurdes Pereira

Lamego - Penajoia - etc&Tal

Penajóia



Texto e fotografia: Lurdes Pereira


As primeiras cerejas da europa são as da Penajóia.


Quando alguém pergunta aos seus habitantes de onde são, eles respondem:
“Sou da Penajóia! A espada vai na burra! Se quer alguma coisa, Salte cá prà rua”.


Sobranceira ao rio Douro, Penajóia do concelho de Lamego tem geografia num micro-clima ideal para que esta freguesia seja a primeira, na Europa, a apresentar cerejas no mercado. O ano não foi dos melhores porque a instabilidade climatérica atípica atrasou a maturação do fruto. No entanto, a qualidade ficou assegurada para a Montra da Cereja da Penajóia, na sala de visitas de Lamego, no fim-de-semana de 26 e 27 de Maio, organizado pela Associação Amijóia, Amigos e Produtores da Cereja da Penajóia.


Também pode ler-se num excerto de um livro de João Araújo Correia que: "As primeiras cerejas do ano aparecem na feira de Santa Cruz, em Lamego, no dia 3 de Maio. Vêm de Cambres ou da Penajóia. Por serem poucas, meia duzinha delas as que assim amadurecem temporãs, constituem mimo, próprio mais para regalar a vista do que o paladar. Tão escassa esta primícia, que é raro vender-se ao quilo. Vende-se, mas em rocas. Um pau ou uma cana rachada ao meio, com raminhos de cerejas entalados de um lado e doutro, folhas de cerdeira ou laranjeira a enfeitar, aí está a roca. (…)


E por falar em Penajóia, também não posso deixar de relembrar a lenda que lhe está associada:
Havia uma grande rivalidade entre Penajóia, (Lamego) e Barrô, (Resende), por causa da boa qualidade de cerejas, da qual ambos eram grandes produtores. Um certo dia, um agricultor estava a guardar as cerejas para que ninguém ousasse levar a sua semente. Mas um pássaro de bico amarelo aproveitou uma pequena distracção, debicou uma cereja e fugiu. Furioso, o agricultor foi atrás dele empunhando uma espingarda para que este não deixasse a semente em terreno rival. Mas o pássaro voou até Barrô poisando numa cerejeira para descansar. Na tentativa de o alvejar, o pássaro assustou-se, deixou cair a semente e deu de frosques. O dono do terreno ao ouvir o estrondo veio ver o que se passava e ficaram os dois vizinhos a discutir.


A cereja é um fruto delicioso e apreciado por todos. Por isso, se não chegou a tempo da festa da cereja em terras de Lamego, pode optar pelo, dia 2 e 3 de Junho, o cartaz do Festival da Cereja de Resende.
Acreditem, todas elas são boas. Se Penajóia colhe a novidade destes brincos princesas, Resende faz dela anfitriã fechando este ciclo com chave d`Ouro, coroando-a de rainha.





Alminhas, junto a casa da Mimi.


Molães
Fotografia: Lurdes Pereira
Fevereiro 2018


























Curvaceira



Castelo












Samodães